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O respeito por si próprio e pelos outros

Quarta-feira, 20.07.11

 

 

Nota de esclarecimento sobre o post original:  Este post, que foi desenhado num tom humorístico na altura e partia de uma polémica decisão da universidade Católica de impedir calções e chanatas nas aulas, acabou por ser um dos mais visitados d' as_coisas_essenciais. Talvez pelo próprio título que remete para questões mais importantes do que uma simples indumentária. O título é enganador, portanto.

Deixo, por isso, aqui alguns posts que escolhi especialmente para os Viajantes que aqui passarem, em que trato do tema respeito por si próprio e pelos outros na perspectiva cultural e comportamental, da coexistência e interacção entre pessoas e comunidades:

 

A nossa verdadeira naturezaViagem no tempo-espaço com um ramo de oliveiraA acção inteligente e consequente no caminho da autonomiaEmpatia e compaixão, a base da autonomiaO poder da palavra e As mulheres e o seu papel fundamental nos valores culturais de uma comunidade.

 

Quanto a questões de indumentaria, gostava também de esclarecer os Viajantes que por aqui passarem que, mesmo em relação a fatiotas já mudei muito de opinião: não na questão das chanatas nas aulas (há sandálias), mas na questão dos calções.

Quanto à indumentária na rua, quanto mais alegre e variada melhor. Quanto mais descontraída melhor. Uma sociedade já é tão constrangida mentalmente e culturalmente, já está tão formatada segundo modelos em photoshop e botox, que é refrescante ver pessoas reais, de carne e osso, de calções e chanatas a animar ruas tristes de portas fechadas de mercearias, livrarias e restaurantes de bairro. 

 

Como já aqui disse, a nossa percepção da realidade vai-se alterando à medida que vamos aprendendo com a observação e a experiência, como se a nossa consciência se fosse expandindo. Esta consciência abrangente já não se baseia na opinião deste ou daquele, em palavras, mas na colaboração de vários, na sua participação e na acção. É como se a nossa percepção da realidade conseguisse ver por trás da imagem outras imagens a sobrepor-se, ou ouvir a verdadeira mensagem a partir do que não nos é dito.

O mais importante passa a ser a nossa participação e colaboração, o que é preciso fazer?, e não a obediência acrítica e distraída a regras que estão obsoletas e nos limitam como pessoas e como comunidades.

Ultrapassamos a fase da necessidade de aprovação social (a imagem certa, o grupo de referência, os modelos de sucesso), e passamos a agir a partir da nossa consciência mais abrangente que se baseia na autenticidade, na tolerância, na colaboração, na autonomia.

 

Vivemos em plena fase de profunda transformação cultural: de uma cultura baseada na imagem, na palavra, no espectáculo, no poder, para uma cultura baseada nas pessoas, na acção, nas comunidades, na participação e colaboração. É uma nova cultura da colaboração através de comunidades inteligentes.

É este a verdadeiro respeito por si próprio e pelos outros, e são indissociáveis: as comunidades inteligentes respeitam a diversidade e a divergência na procura de melhores soluções. O que é preciso fazer?, passa a ser a pergunta-chave.

 

 

Post original: Aprendi desde muito cedo a escolher a fatiota para cada lugar e ocasião: há a roupa para estar em casa, há a roupa para sair. Em casa: há a roupa para dormir, para sair do banho, para andar por casa, para jardinar, etc. Fora de casa: há a roupa para ir trabalhar, e aqui depende da actividade e das normas do local de trabalho, para a escola ou faculdade, para ir ao supermercado, para praticar desporto ou actividades de lazer e de ar livre como ir à praia, ao cinema, ao teatro, a um concerto, jantar fora, etc. 

Mesmo que as fatiotas que vou adquirindo não sejam lá muito convencionais, não sigo a moda, escolho em função do mais confortável, roupa ampla, minimalista, sem acessórios, o que põe as minhas amigas de cabelos em pé, obedeço a esta regra geral: a roupa adequa-se à ocasião e ao lugar. Considero-a uma regra social básica: o respeito por si próprio e pelos outros. É por isso que não entendo esta reacção às normas indumentárias da Católica: uma universidade não é a praia. Não é implicar com as chanatas e os calções. É apenas bom senso.

 

Pessoalmente, não me agrada ver os homens de calções e chanatas, embirro mesmo. Provavelmente ainda vivo nos filmes dos anos 50, como me diz uma amiga japonesa, designer de roupa. A meu ver, um homem fica bem de calças e há calças leves para o verão. E nem pensar em chanatas, há sandálias abertas que escapam, embora prefira vê-los de sapatos e agora há sapatos muito leves e bem arejadinhos. De qualquer modo, talvez a minha amiga tenha mesmo razão: detesto ver um homem falar com uma senhora de mãos nos bolsos. Ou não se levantar quando uma senhora entra na sala ou lhe dirige a palavra. Ou não a deixa passar à frente. Só na questão de pagar as contas é que admito flexibilidade: à vez à vez, aceitar uma prenda se se pode retribuir de forma equivalente. Há equívocos que se podem evitar. Bem, acho que vou escrever um pequeno manual de etiqueta que corresponda a um compromisso razoável entre a elegância dos anos 50 e a autonomia actual das mulheres. O mais que me pode acontecer é ninguém o ler...

 

Resumindo: Calções são próprios para o desporto, o montanhismo, as escaladas, a piscina ou a praia. Chanatas são próprias para a piscina ou para a praia.

 

Só um à-parte: também na indumentária feminina tenho algumas regras muito pessoais, micro-saia no trabalho, só se for em instrutoras ou professoras de ténis, ginástica ou qualquer tipo de actividade que o exija, como as modelos, etc. Os decotes insinuantes a mesma coisa, são próprios para o lazer, não para o trabalho, adequam-se a festas, jantar fora, concertos, teatro, etc.

Já em relação aos teenagers, eles e elas, sou muito mais tolerante, e as minhas reservas prendem-se mais com questões de saúde: vê-los no inverno de sapatilhas, sem blusão, com decotes e a barriga à mostra, de mini sem collants, e à chuva... mas na adolescência o bom senso está um pouco ausente, pelo menos por uns aninhos...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:42


16 comentários

De Pedro Neves a 21.07.2011 às 10:41

Bom dia,

O as coisas essenciais está novamente em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Boa continuação!

Pedro

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 21.07.2011 às 18:46

Pedro
Que surpresa agradável!
Obrigada pela amabilidade e pelo incentivo!
Um grande abraço a toda a equipa do Sapo!
Ana

De danyrock a 21.07.2011 às 21:02

me segue ?
mto bom o blog !!
obg *

De Sara a 21.07.2011 às 23:58

Parabéns pelo destaque!

De geriatriaaminhavida a 22.07.2011 às 11:03

Para tudo é preciso bom senso, não é? Até para a roupa.
Ainda ontem, comentei um post que falava sobre os vários estilos de roupa em especial a roupa clássica .
Apesar dos meu 43 anos não uso roupa clássica , mas tenho cuidado com o que visto, ou pelo menos tento.
Já deixei de vestir coisas que ficam bem a jovens, apesar de eu até gostar.
Quando tirei o meu curso de geriatria, uma das coisas que nos foi dita foi para termos cuidado com a roupa que levamos para o trabalho. Apesar de trabalhar com pessoas idosas, elas são atentas e alguns velhote abusadores. Mas este conselho serve para todas as profisoes.
Boa semana e desculpe a invasão.

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 22.07.2011 às 15:50

Maria

Gostei muito do seu comentário.
Só uma sugestão, se me permite: com 43 anos pode perfeitamente usar peças mais juvenis se gosta de as usar. O bom senso reside, a meu ver, nesse compromisso entre o seu estilo, o que lhe fica bem e a ocasião e local. Concordo consigo relativamente ao seu cuidado com a roupa que usa no seu local de trabalho.
A propósito, visitei o seu blogue e gostei muito. Aprecio o discurso na 1ª pessoa, a informação partilhada sobre experiências de trabalho e de vida.
Continue, Maria, a comunicar e a partilhar!
Ana

De geriatriaaminhavida a 22.07.2011 às 11:04

Acabei de comentar e esqueci-me de lhe dar os parabéns pelo destaque. foi através dele que aqui estou.
Boa semana

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 22.07.2011 às 15:52

Obrigada, Maria!
Boa semana também para si!
Ana

De sandrafofinha25 a 22.07.2011 às 21:55

Vi-te dar os parabens pelo destaque e convidar-te a entrar no meu mundo de cinema. Aguardo os teus comentarios.

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 23.07.2011 às 11:29

Sandra

Passei por lá! Gostei da irreverência do aviso logo à entrada: tratem-me bem! Acho bem.
Gostei igualmente do design, muito veraneante, a lembrar um aquário fresquinho, a convidar a idas ao cinema.
A capacidade de síntese é louvável, mas seria interessante exprimir as sensações, pensamentos, sentimentos, que cada filme te suscitou. E também qualquer opinião sobre a estrutura, a narrativa, as personagens, o ritmo, enfim, a tua opinião sobre a realização e o argumento.
Continua!
Ana

De P a 23.07.2011 às 07:57

«Enquanto a miséria extrema for lá no 3º mundo, a vida é um alegre picnic. Com o mal dos outros pode o humano bem. Por cá (Europa) até o lixo é de luxo. Em Londres contabilizam-se em centenas de milhares ( ou seriam milhões? - já não lembro bem ) de toneladas DIÁRIAS a quantidade de alimentos que vão para o lixo por excederem os prazos de validade.
Em Angola, para dar um exemplo de "país na moda", a mortalidade infantil é de 175,9 por mil nascimentos e a esperança de vida à nascença são 38 anos. Não são gralhas, é mesmo cento e 75 e trinta e oito. Pelo menos a acreditar no CIA factbook.»
Quando eu não puder fazer copy&paste destes julgarei da pertinência das suas preocupações. Até lá tenha paciência e carregue o seu calvário de incompreensão.

De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 23.07.2011 às 11:22

P
Auch!...
Nessa perspectiva, claro que as minhas opiniões sobre regras sociais básicas são absolutamente inadequadas e inúteis!
Mas neste post quis apenas descontrair e humorizar.

Não acha redutor largar aqui o seu desprezo sem dar uma vista de olhos sobre os restantes posts?
Convido-o, pois, a visitar outras coisas essenciais...

Aproveito para partilhar consigo as suas preocupações, pois também são minhas: ler, por favor, o Rio_sem_regresso (Sapo) e a minha colaboração no Farmácia Central (Wordpress.com).
Cumprimentos!
Ana

De Caminhando... a 23.07.2011 às 22:28

Olá Ana!

Andei um pouco por este seu espaço e gostei muito da maneira com se expressa e dos temas que aborda.

Bjs e parabéns pelo destaque.

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